Fronteiras e não-fronteiras

O atlas enquanto sistema fragmentário de (re)orientação

Um desenho virtual partilhado
Publicação
Miguel Almeida
  • edição
  • atlas
  • conflitos
  • informação
  • fronteiras

As informações que nos chegam são, frequentemente, as mais sensacionalistas e tocam apenas a superfície de problemas bastante complexos. Este tipo de cobertura jornalística tem uma dinâmica instável, sendo inicialmente mais intensa e posteriormente intermitente. Esta variância cria uma lacuna na compreensão de um conflito, quer por falta de informação, quer por falta de contexto histórico.

Partindo deste pressuposto, Fronteiras e não-fronteiras explora as fronteiras físicas e as fronteiras informacionais da actualidade, constituindo-se como um atlas que retrata a extensão e a complexidade dos conflitos internacionais.

Fronteiras e não-fronteiras reúne três volumes que descrevem problemáticas como: propaganda, migração, asilo e a vida em campos de refugiados. Mais do que um arquivo documental, o modo como cada volume foi estruturado procura promover uma reflexão crítica.

Volume 1: Conflito e propaganda centra-se nas raízes, nas causas, nas consequências e no impacto de um conflito. Este volume articula duas partes com diferentes tamanhos. Enquanto a primeira descreve o conflito como um ensaio visual, a segunda – dentro da primeira – contextualiza o que é narrado na história principal. Estas narrativas paralelas exploram a extensão e a complexidade dos conflitos fornecendo os contextos necessários para os entender como um todo.

Volume 2: Existem em média 400 refugiados a residir em território português. Migração e asilo divulga as migrações de refugiados com nacionalidade portuguesa e de refugiados a residir em Portugal. O formato de desdobrável permite confrontar estas estatísticas com informações relacionadas, de legislações e conflitos internacionais. Podemos retirar várias conclusões desta publicação, entre elas o tempo entre um conflito internacional e a vaga de migração consequente – quando estamos prontos para deixar tudo para trás?

Volume 3: Viver no limbo retrata a vida em campos de refugiados. São apresentados diversos objectos, oferecidos a refugiados aquando a sua chegada. Os objectos são representados apenas com as suas especificações técnicas. Apresentar o conteúdo desprovido de qualquer contexto distancia-nos da história para podemos olhar o modo técnico como os objectos foram pensados. A ironia do catálogo retrata um lifestyle – mais prático e funcional.