“Espacillimité”

O ritmo do tempo no espaço de Nadir Afonso

Um desenho virtual partilhado
Instalação (video mapping)
Dulce Abel
  • espaço pictórico
  • temporalidade
  • tridimensionalidade
  • harmonia
  • ritmo

Nadir Afonso, pintor e arquitecto português, desenvolveu na vanguarda da arte mundial uma série de composições de cariz cinético, que designou comoespaços ilimitados. Na década de 50, apresenta em Paris, a obra Espacillimité – Máquina Cinética (1956), uma tela animada mecanicamente num movimento circular cíclico, que procurava tornar dinâmicas as formas plásticas de carácter estático. Partindo deste pressuposto, a instalação Espacillimité explora o potencial dos recursos tecnológicos actuais para proporcionar uma nova percepção da pintura homónima de Nadir Afonso, enfatizando as concepções do autor, ao transpor a bidimensionalidade para uma dimensão tridimensional e temporal. Projectados num conjunto de prismas a partir de mapeamento vídeo, os elementos gráficos da obra são recriados através de princípios de fragmentação e de mutação de padrões rítmicos. A fim de reforçar a temporalidade e sentido de harmonia da obra, a narrativa visual é acompanhada pela composição para piano Arabesques nº1 de Claude Debussy, evocativa do repertório de referências de Nadir Afonso. Esta instalação procura proporcionar uma nova experiência da obra, através da mutação dos signos, numa sequência articulada entre a forma no espaço e o ritmo do tempo.

A instalação “Espacillimité” foi idealizada segundo a análise da composição do quadro cinético de Nadir Afonso e dos seus aspetos formais. O pintor utilizava o branco da tela de forma rigorosa, concentrando-se na depuração e alinhamento dos elementos geométricos, na síntese cromática e numa estruturação rítmica das formas regida por leis matemáticas.

Seguindo estas premissas, foi estruturada uma narrativa que reforça, através da depuração dos padrões geométricos, a singularidade dos elementos pictóricos presentes na obra original e procura evidenciar a sua lógica de composição espacial e temporal. Para implementar e adaptar a narrativa à superfície de projecção, optou-se por um conjunto de prismas (utilizados como superfície de projecção) e recorreu-se ao software de mapeamento Resolume Arena, que interage com a aplicação Flash, em que foi construída a composição projectada.

A narrativa visual tira partido da conjugação dos signos da pintura numa superfície diferente da que o autor idealizou para a sua obra, atribuindo-lhes tempos distintos e desenvolvendo-se segundo uma estrutura em repetição contínua (loop) a fim de reforçar e reconstruir a concepção de espaço pictórico ilimitado.